Oficinas de Arte de Hervé Tullet

Hervé Tullet                                                                                Francês Artes

 Queridos amigos e colegas educadores,

Recebi este livro de presente da minha amada sogra belga Gaëtane, artista e educadora. E que presentão!! Não podia guardar só para mim. Dediquei algumas horas para traduzir do francês para português seis atividades. A tradução não é de uma especialista mas acredito ter conseguido transmitir o espírito da coisa! As oficinas de pintura e desenho de Hervé, que se diz ser um autor e ilustrador de livros infantis para criança, mas a meu ver tem algo nato de educador daqueles mais genial e espontâneos, que não precisou da academia mas que tem uma imensa sensibilidade para ensinar. Para ele a oficina é diversão através da arte. Hervé Tullet cria oficinas de pintura em forma de jogos e brincadeiras que envolvem e incentivam crianças e adultos a explorarem o mundo das artes visuais. Experimentei a
atividade Campo das Flores na ONG PACE com crianças de seis a adultos de 25 anos e foi um sucesso! Como só sei viver dividindo e multiplicando conhecimento quero também os presentear. Sintam-se a vontade para fazer suas alterações no texto e no modo de realizar as oficinas, experimentem!

Um beijo grande e um abraço apertado!
Lívia Castro
Arte-educadora
Mestra em Artes Visuais

Campo de Flores

Imagem 01

Esta é certamente a oficina que eu fiz o maior número de vezes, com participantes de todas as idades, de bebê a adultos. É ainda um sucesso, pois todas as manchas ou todos os traços acidentais serão transformados e tornam-se úteis, bonitos e divertidos.
Preparativos: Para esta oficina utilize tintas de diferentes cores. Disponha de um grande rolo de papel branco, coloque sobre o chão e preveja um espaço que as crianças possam circular entorno dele. As crianças estarão sentadas ao longo da folha, com um pote de tinta na sua frente e um pincel na mão. Eventualmente, prepare uma música para a segunda parte da oficina.

                                                                                           

                                                                                                               

 

A Oficina  1ª Parte

Imagem 02

Atenção! Estão preparados? Começou!
Eu quero ver um pontinho no papel feito com o pincel. Parou! Mudem de lugar.
Confortavelmente instaladas, as crianças são incentivados a sair dos seus lugares.
Agora quero ver um ponto ainda maior.
mudem de lugar!
Eu gostaria de ver um ponto mais largo que a bola do nariz de vocês. Mudem de lugar.
E agora eu quero ver um ponto maior, muito maior.
Agora eu quero ver um círculo.
Sempre que vou dando um comando eles vão mudando de lugar junto com seus pinceis e seu vasos de tinta.
Um círculo maior.
Um outro círculo, maior ainda.
Atenção, atenção! Eu quero ver o maior círculo do mundo!
As cores começam a se misturar.
Oh! Que lindo. É mesmo muito lindinho!
Todo mundo de pé! Peguem seus pinceis, deixem suspenso no ar… E agora deixe cair sobre o papel.
E rapidamente:
Mudem de lugar! Façam mais uma última vez.
Sim, uma última vez senão a oficina vai terminar só com o lançar  dos pinceis. imagem 03
Atenção! Escutem atentamente. Agora vai ficar mais rápido.
O ritmo dos comandos vai acelerando. Não esqueça de fazê-los mudar de lugar a cada comando.
Eu quero ver:
Pontos sobre um ponto.
Pontos dentro de um círculo
Pontos em torno de um círculo
Pontos sobre um círculo

Círculo em torno de uma mancha
Um círculo em torno de outro círculo
O espaço se preenche pouco a pouco, um ritmo, uma coreografia se cria no lugar. Eu continuo a dar
os comandos, variações de pontos e círculos, até o momento que eu acredito que o papel está bem
cheio mas restando alguns espaços para continuarmos. Neste momento eu digo:
Atenção! Parem e observem o desenho. Eu vou dar trinta segundos. Observem bem e acrescentem
um elemento onde vocês sentem que precisa colocar algo no desenho: um ponto, um circulo, uma
mancha ou até um espiral.
Parem! De pé! Acabaram os pontos e os círculos.

2ª Parte

Dificilmente as crianças vão querer que o jogo termine, mas para a segunda parte eu os incentivo a
observarem.
Agora vocês vão transformar esse desenho de pontos, círculos e manchas em um campo de flores!
Escutem bem. Para criarmos nosso campo de flores olhem seus desenhos: nossas flores já estão lá.
Basta escolher um elemento e desenhar um talo e uma folha.
Eu então faço uma demonstração.
Comece por escolher uma grande flor, acrescente o que você quiser onde quiser. E agora é a vez de
vocês.
Nesta fase da oficina, eu adoro colocar uma música rítmica ou suave para acompanhar a
transformação das manchas em flores. Eu passo pelas crianças, eu as encorajo, eu encontro espaços
para cada uma e eu dou exemplos.
Variante: Trabalhe sobre um outro suporte: você pode pintar diretamente sobre a parede, em um
tapume de uma canteiro de obras, em portas os divisórias de vidro.
Utilize outros materiais: hidrocor, lápis de cor ou cera, todos servem muito bem!

O grande Engarrafamento

Imagem 04É a atividade ideal para fazer dentro de um curso de recreação, em um dia de sol.
Excitante pela ideia de conduzir sobre uma folha de papel com um pincel, as crianças traçam trajetórias cheia de energias que serve para criar um cenário de uma cidade animada.Imagem 05
Preparativos: Estenda um grande rolo de papel branco no chão, formando encruzilhadas com pedaços grandes de papel, permitindo a circulação em torno e entre as folhas. Espalhe obstáculos: Cds, discos, livros, caixas, tampas, copos, sapatos… Escolha a maior quantidade de folhas possível, pois elas deixam espaços em branco quando retirar do papel. Cada criança deve ter um pincel e um recipiente com tinta. Mantenha prevista uma vasta quantidade  de cores.

 

A Oficina 1ª Parte

 

Imagem 06Mergulhe seu pincel dentro da tinta e posicione-se onde você quiser sobre o papel. Imagine que seu pincel é um carro e que você vai sair para dar um passeio.Você vai deixar seu pincel deslizar sobre o papel e evitar os obstáculos.
Não pode pintar os objetos, hem?
Começou! Boa viagem!
Eu incentivo os participantes a deslocar-se ao máximo e ir
mais longe.
Ei você! Onde você vai? Você está andando em círculos.
Vamos, avance! O mundo é enorme!
As trajetórias empurram-se e cruzam-se de forma divertida, continuam a mesma rota até acabar e
começar uma nova. Ficando com mais e mais linhas sobre o papel. Quando o desenho tiver quase
saturado eu peço para elevarem os pinceis.
Parem! Acabou a primeira parte.

2ª Parte

 

Imagem 07

Eu retiro os obstáculos.
As linhas que vocês desenharam são os caminhos. Agora
que temos as estradas vamos imaginar o resto da cidade.
Para ajudá-los eu dou umas dicas. Podemos fazer os carros, as árvores, as casas, as lojas, os pedestres… A atividade é neste momento reinvestida. Eu passo pelos participantes, eu olho, eu encorajo, eu estimulo, até que o desenho fuja do controle, que se forme um monstruoso engarrafamento, com grandes florestas e amontoados de casas.Os obstáculos são o carro chefe desta atividade. Os espaços deixados em branco transformam-se em muitos pedestres, carros, árvores… A energia se desenvolve e o prazer de viajar com seu pincel é bem mais interessante que um bonito resultado. Variante: Mude de tema. Por que não utilizar somente o azul e o verde para criar um belo oceano?Introduza em seguida outras cores para desenhar os peixes, os barcos, os nadadores. Eu tenho certeza que você terá novas ideias de tema. Eu ficarei feliz em conhecer!

 

O Dado Mágico

Imagem 08

Este é um jogo divertido para criar monstros inesperados cheio de charmes e
humor. As crianças adoram ver os personagens ganhando forma ao desenrolar do
jogo.

Preparativos: Cada criança deve ter uma folha de papel com grandes formas desenhadas: redonda,
oval, quadrada… (que devem ser desenhados anteriormente pelo orientador). Se possível preveja o total dos antecipadamente. Se tiver apenas um funciona também. Com crianças menores de três anos utilize dados grandes. Todos colocam-se lado a lado, pincel na mão, cada um com um pote de tinta de cor diferente ou hidrocor.

 

 

 

A Oficina 1ª Parte

 

Imagem 09

Lance de uma vez o dado: o número que cair será a quantidade de olhos que você vai desenhar dentro da forma. Eu adoro ver as crianças transformando seu desenho a cada lance do dado. Você pode propor que troquem de cor com o colega vizinho. Lance o dado uma segunda vez. Desenhe o número de bocas indicado. Novo lance! Desta vez é pelo nariz. E agora um lance pelo número de braços. E desta vez pela quantidade de pernas. Prontos? Um lance pelas orelhas. E para terminar, o cabelo. Eu proponho: 1 e 2 um pouco de cabelo;
3 e 4 normal e 5 e 6 muito cabelo!

 

2ª Parte

 

Agora vamos acabar com os dados mas o jogo continua: vocês podem colocar uma decoração, dar um nome ao seu personagem, colorir e até redesenhar. Após criar um personagem, as crianças podem criar o mundo em torno dele e sua história. Onde ele está? Quem é sua família? E seus amigos? Que carro ele dirige? Onde ele mora?
O comando ‘desenhar um personagem’ pode intimidar, mas passando por um jogo ajuda a descobrir-se.
Imagem 10 E são as combinações inesperadas que dão bons resultados.
Variante: Agrupe os desenhistas e você pode fazê-los
desenhar todos os monstros sobre uma única grande
folha de papel. Uma vez terminado os personagens, faça
as crianças desenharem as decorações criando o mundo
em trono dos monstros.
Modifique a regra do jogo. Você pode atribuir uma
forma por número: 1-olho; 2- boca; 3-nariz; 4-orelha; 5-
braços e 6-pernas. Quando acabar os lances verão os
personagens que surgem de todas as formas. Ou você
pode joga com dois ou três dados de uma vez. Por que não? Você pode também obter seus monstros de um só
lance!
Jogando em coletivos: o grupo pode realizar um único grande monstro. Cada criança do grupo vai
acrescentando um elemento ao passo que os lances vão acontecendo.

 

Operação Silhueta

Imagem 11

Esta oficina visa mudar nossa visão das formas, modificar nosso ponto de vista e nossa perspectiva ao colorir zonas diferentes dentro de uma silhueta gigante, tornando-se divertido e extremamente gratificante.

Preparativos: Disponha de grande folhas de papel ou rolo de papel branco sobre o chão ou sobre parede (neste caso preveja cadeiras ou bancos). Separe antecipadamente hidrocor grosso, muitos potes de tinta, lápis de cor ou giz de cera que iremos utilizar na segunda parte.

A Oficina 1ª Parte

Sem dizer nada, eu escolho uma criança, eu a coloco sobre o papel e eu traço seu contorno com um
hidrocor. Em seguida, eu desenho outro participante com braços e pernas afastadas ou em posição
de dançarino. Eu continuo a desenhar silhuetas intercalando as linhas e as formas. Uma vez
entendido como se faz eu encorajo as crianças a fazerem elas mesmas.
Vamos todo mundo desenhar as silhuetas de seus amigos!
Depois quando o desenho parece suficientemente repleto…

2ª Parte

Imagem 12E agora, vocês vão colorir as intersecções entre as silhuetas.
Faça uma demonstração se achar necessário pintando uma
intersecção. As crianças pegam seus potes de tinta concentrando-se
minuciosamente sobre os entrelaces. Elas esquecem as
representações das formas e transformam o trabalho em uma
pintura cheia de cores. Uma vez terminada a pintura dos entrelaces
as crianças podem pintar o fundo ou as partes vazias.
E opa! Vocês viram? Graças a magia das cores nós olhamos as
silhuetas de outra maneira. Nós fizemos uma foto divertida e colorida do grupo, viva como uma
dança.
Variante: Quando trabalhar em uma superfície menor, por falta de espaço, em vez de silhueta do corpo inteiro nós podemos trabalhar apenas com partes, por exemplo, braços e mão, pernas e pés. Invente novo tema: Nós podemos desenhar contornos de objetos familiares, aqueles de sala de aula (caderno, lápis, estojo…), de um jardim (regador, pá, vaso de planta…), de uma cozinha (colher de pau, panela, copos…) de um banheiro (frascos, secador de cabelo…), de uma sala de jogos (bola, almofada, bambolê…) etc.

Pintura na Música

A atmosfera desta oficina vai te encher de ondas positivas. Envolvidos pela música, as crianças criam formas espontâneas com manchas, traços, rabiscos… Há uma dinâmica de grupo incrível e os resultados obtidos são surpreendentes. Uma vez que a oficina termina, graças as simples etapas, as formas abstratas se transformam em desenhos figurativos como magia!Imagem 13
Preparativos: Prepare uma sequência sonora de vinte minutos. Composta de pedaços muito curtos, de aproximadamente um minuto cada. Eles podem ser melódicos, pulsantes, doces, calmos, rápidos, ritmados, ou faça escutar barulhos estranhos. Você pode também simplesmente criar sua música no lugar com materiais disponíveis ou com músicos, tocar com dois paus, duas maracas ou ainda utilizar sua voz. Para a segunda parte, coloque uma música continua mais doce.
Espalhe grandes folhas coloridas no chão preenchendo o espaço. Preveja uma larga paleta de cores. Evite preto e marrom para a primeira parte mas deixe a disposição na segunda parte.
Cada criança deve estar preparada com seu pincel e pote de tinta.

                                                                                           

 A Oficina 1ª Parte

Imagem 14Vocês vão escutar o som o qual vocês vão reagir com seus pinceis. Quando a música mudar mude de lugar.
Se as crianças estiver sentadas em uma mesa elas podem trocar seus desenhos ou pinceis com os vizinhos a cada novo som.
De pé os participantes podem ficar tímidos, atrapalhados, correndo risco de ficar vários minutos sem fazer nada. Às vezes é preciso insistir e os encorajar.
Se isso ajuda feche os olhos e reaja ao som. Deixe-se levar!
Pouco a pouco a música os cativa e o ritmo do grupo instala-se. Eu passo entre as crianças, eu olho, eu retiro as folhas já saturadas de traços e cores, eu as coloco de lado e eu distribuo outras vazias.
Parem! Vamos parar e olhar. Então, o que temos ai?
Cada um observa os traços e as manchas.
Vocês criaram um fundo, um cenário!

2ª Parte

Mudo de trilha e coloca uma música mais doce.
E agora nós vamos nos servir deste cenário para transformar em desenhos.
Proponha que utilizem símbolos ou formas simples. Estes desenhos são bem práticos para
transformar os desenhos em paisagem.
Por exemplo, acrescente a forma de um barco simples sobre um fundo azul movimentado e você
observará um barco dentro de uma tempestade. Os carros, as árvores e os bonecos são formas fáceis
de desenhar que, associados aos fundos, transforma-se em florestas misteriosas, engarrafamentos
gigantes ou pessoas dançando.
Para a segunda parte o preto é muito utilizado. Se eles utilizam muitas cores o trabalho pode
rapidamente ficar saturado e até enlameado. A tinta preta ou nanquim dá a precisão, o contorno da
forma. Nós também podemos sugerir aos participantes que usem o cabo do pincel para criar formas
dentro da pintura.

A Usina de Desenhos

Nesta oficina, você vai lançar uma série de breves comandos para criar uma fábrica de arte em
ebulição, efervescência e euforia! Entre os comandos e os desenhos que voam dentro de todos os
sentidos, os pequenos operários são estimulados por esta corrente de trabalho criativo. No final da
oficina, você terá uma imensidão de obras espontâneas, que você pode convidá-los a apreciar em
forma de exposição.

Imagem 15Preparativos: Para esta oficina é necessário um espaço para que
grupos de duas a quatro crianças possam trabalhar uma ao lado
da outra. Cada grupo precisa de uma folha de papel, de muitos
potes de tinta e pinceis, lápis de cor, hidrocor ou giz de cera.Não
hesite em colocar uma música animada.
O princípio é gerar uma espontaneidade ao dar os breves comandos aos grupos, um de cada vez. Não
é o respeito ao comando que conta mas a energia que emerge no grupo. Mesmo que eles
perguntem: Certo! Mas o que é que vamos fazer? Eu respondo acrescento comandos, mais e mais.

 

A Oficina

 

Um ponto, um outro ponto, pontos por todo lado. E cheio de cores. Eu quero círculos do lado de círculos. E em seguida círculos dentro de outros círculos. Linhas e mais linhas que se misturam. Eu quero um rabisco gigante!
O que você quer desenhar? Uma árvore? Agora se imagine dentro desta árvore! Eu quero um circulo, depois outro circulo e um outro. Depois lance o pincel como uma flecha no alvo. Desenhem uma nuvem. E em seguida eu quero uma chuva de cores. Façam o contorno do objeto que eu vou os dar e depois pinte. Façam pontos. Agora liguem os pontos com traços. Formas diferentes, muitas formas diferentes. Não pode dois iguais, entendeu? Eu quero nuvens coloridas.Desenhem de olhos fechados. Incline sua folha e deixe a tinta escorrer. Um desenha e outro desloca a folha enquanto você desenha.Um desenha e outro rabisca. Faça uma mancha em sua folha e coloque outra por cima antes que a pintura seque. Acrescente números, letras pontos de exclamação. Eu vou até as crianças e elas até mim, e vou dando novas instruções, completando, enriquecendo o trabalho, dando precisão. Acrescente novos pontos, trações e linhas. Você pode dar outras orientações ou criar novas. Há muitas possibilidades, é uma questão de espontaneidade, entusiasmo e energia. Quando as paginas estiverem cheia, eu retiro e dou outra para que continue. Eu lanço os comandos e eu distribuo as folhas. Estão brincando muito bem senhores operários! Vocês produziram fantásticos desenhos. Agora vamos fechar a usina! Variante: Realize uma exposição! Eu sugiro que esta oficina gere uma exposição ou uma escultura coletiva. Transformar uma oficina em uma exposição é um projeto ambicioso que demanda experiência e tempo (nos podemos expor em um lugar por muitos dias ou até meses). Se você tem esta ideia na sua cabeça então trabalhe com suporte mais rígido: papelão grosso ou até mesmo compensado de madeira. O trabalho pode ser exposto por muitos lugares, no chão, muros e áreas externas. Para expor é preciso prever um sistema de encaixe. Faça dos cortes de cada lado, deixando a mesma distância entre eles. Você pode montá-los um em cima do outro ou se preferir formando caixas uma em cima da outra.

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Esse texto foi traduzido por Lívia Castro, graduada em Artes Plásticas pela Universidade Federal da Bahia, Especialista em Arte/Educação: Cultura Brasileira e Linguagens Artísticas Contemporâneas pela Universidade Federal da Bahia e Mestra em Ensino das Artes Visuais pela Universidade Federal da Paraíba e Universidade Federal de Pernambuco. Fundadora ONG Pé de Arte, Cultura e Educação, São Gonçalo dos Campos, BA. Grande educadora que vem desenvolvendo um belíssimo trabalho na arte-educação e no terceiro setor.

O Significado da Música: Educação Musical e Cotidiano Escolar

 sala-de-aulaO que é música? Música é uma linguagem universal? Para Aronoff, “A música é uma experiência humana”. (1974, p. 34) Existe música nas mais diferentes organizações sociais do mundo. Pode-se afirmar então que a música é uma necessidade humana. Mas do ponto de vista sonoro, em que o som é matéria prima da música, até que ponto podemos considerá-lo música? Qualquer som pode ser combinado? Dessa maneira, qualquer som pode ser música? Um ruído, o canto dos pássaros, barulho das cidades, os sons da natureza, podem ser considerados como música?

Para Maura Penna, os pássaros não fazem música, apenas projetamos sobre eles”…uma experiência essencialmente humana.” (Maura Penna, 2015 p. 21). Na realidade estamos humanizando os pássaros. Mesmo assim, o homem cria técnicas que utilizam distintamente esses sons de acordo com os diferentes movimentos da arte: música concreta, eletroacústica, dodecfonismo, eletrônica, entre outros, onde o ruído e outros sons deixaram de ser um mero evento sonoro.  Para Nicole Jeandot, ouvir é diferente de escutar:

“Para ouvir, basta estarmos expostos ao mundo sonoro e possuirmos o aparelho auditivo em funcionamento. Nunca cessamos de ouvir, de receber as impressões dos ruídos, dos sons. Não podemos fechar a porta dos sons: não temos pálpebras auditivas.

Já a escuta envolve interesse, motivação, atenção. É uma atitude mais ativa que o ouvir, pois, selecionamos o mundo sonoro, aquilo que nos interessa. Dessa maneira, podemos perceber a música, seus elementos constituintes, como a tonalidade, os timbres, o andamento, o ritmo, etc”. ( Jeandot, 1990, p.21)

Para escutar é necessário uma “limpeza dos Ouvidos” (Murray Schafer). Por isso que muito sons do cotidiano passam despercebidos do dia-a-dia de muita gente. Diante dessas questões levantadas, como definir a música? Por ela ser abstrata e ao mesmo tempo “palpável”, por estar presente na vida de todos de diferentes maneiras, é realmente difícil de ter uma definição no sentido mais amplo. E por ser construída e reconstruída a cada local, momento e sofrer influências culturais, em cada parte do mundo ela pode ter um significado. E qual significado a música tem para os alunos? O que é música para eles? O que eles trazem e vivenciam também não é música?

Partindo desse pressuposto, propostas pedagógicas de compositores eruditos contemporâneos como Paynter, Aston e Schafer, baseiam-se no trabalho exploratório e criativo sobre o material sonoro sem julgá-lo pelo “juízo de valor” imposto pela sociedade que determina qual é a melhor música. Assim, poderíamos construir uma “Educação Libertadora” (Paulo Freire) onde considera-se as diferentes formas de interação que o indivíduo tem com o som ou com a música.

Nós educadores devemos estar atentos a isso. O mundo sonoro de hoje é completamente diferente do século passado. Tendo em vista que a escola não é a única que musicaliza, os alunos já chegam de certa forma “musicalizados”. A TV, o rádio, celular e os demais contatos do cotidiano, também devem ser levados em consideração. De acordo com Jasamara Souza, a musicalização “…é constituída de experiências que nós realizamos no mundo, de forma consciente e/ou inconsciente” (Jusamara Souza, 2009, p. 07).  O som é a primeira forma de comunicação com o mundo. Ainda no útero da mãe, a partir do quinto mês de gestação, a criança já interage com os sons do mundo externo. Alguns autores, entre eles Freud, chamam o útero da mãe de vivência oceânica. O feto é sensível ao ritmo sanguíneo, aos batimentos cardíacos, mas também a alguns sons do mundo exterior.

Nessa ótica, a relação do homem com o som, vai além de padrões estéticos e eruditos, que muitas vezes é imposto na sala de aula, como por exemplo: livros didáticos que não condizem com a realidade cultural do aluno, leitura de partituras, repertório de músicas que não fazem parte da vivencia do aluno. Não que o uso desses recursos devam deixar de ser utilizados, porém eles não podem ser as únicas ferramentas de musicalização e deixando de lado a espontaneidade sonora que os alunos carregam dentro do si. Nesse sentido, como diz Penna, as aulas de música não devem ser apenas “um procedimento da pedagogia musical” (2015, p.43).

Violeta Gainza afirma que,

“ […] o objetivo específico da educação musical consiste em colocar o homem em contato com seu ambiente musical e sonoro, descobrir e ampliar os meios de expressão musical, em suma, musicalizá-lo de uma forma mais ampla […]”. (Gainza, 1977, p.44)

Nessa perspectiva, “Aprender e Ensinar Música no Cotidiano” (Jusama Souza), é estar atento a todas as possibilidades de relação com a música no dia-a-dia dos estudantes. Levando em consideração as mídias, que estão cada vez mais presentes na vida das pessoas, e como os indivíduos interagem com essas mídias. O educador diante desses desafios pode encontrar ferramentas pedagógicas e aproximar o significado que a música tem para os alunos no seu cotidiano, e o significado que a música tem para os educadores.

Cabe ao educador trazer todas essas questões para a sala de aula de forma criativa, como por exemplo, o Re-arranjo[1] sugerido por Penna, é uma boa forma de elaborar uma música envolvendo a vivência  do aluno. Essa prática pode ressignificar alguns conceitos do censo comum sobre a música “boa” (erudita) e a música “ruim” (popular) tanto de educadores como de alunos. Tendo em vista que essa supervalorização da música mais elaborada e a desvalorização da música popular se deu por uma série de continuidades e descontinuidades da identidade da cultura musical brasileira.

Na tentativa de democratizar o acesso como forma de compensar sua falta, muitos espaços promovem shows gratuitos de orquestras, grupos de choro, bossa nova, entre outros estilos. Na maioria das vezes promovido pelos poderes públicos. E sem dúvida a gratuidade é importante e necessária para o processo de democratização, porém, não é garantia suficiente para um acesso democrático à música erudita. Por isso, a escola exerce papel importante no processo de democratização da música, tendo a musicalização como forma de construir instrumentos de percepção necessários para a apropriação das formas musicais mais elaboradas e complexas ao mesmo tempo em que reconhece a música do cotidiano dos alunos como ferramenta para a construção desse processo.

Garota de Ipanema em ritmo de pagode! Brasileirinho em ritmo de funk! Ode da Alegria em ritmo de forró! Por que não? A interação entre o erudito e o popular, o cotidiano e o conteúdo programático são necessários. Não se pode continuar cometendo os mesmos erros do passado. Os Jesuítas por exemplo, foram os primeiros professores de música do Brasil. Mas eles também foram os primeiros a impor a cultura européia como um padrão que desconsiderou os costumes indígenas. E hoje nos perguntamos: onde está a cultura indígena? Onde está a música indígena? Segundo Kiefer (1976, p. 10) “eles desaculturaram a tal ponto a música indígena que dela praticamente não restam vestígios na chamada música brasileira”.

No entanto, deve-se ter um equilíbrio entre o erudito e o popular para não haver uma guetização[2] onde um se opõe ao outro ao invés de se relacionar, além da guetização, há ainda intrínseco na cultura educacional o folclorismo[3] que valoriza uma redução do multiculturalismo, devido à prática de vincular o folclore às atividades, ao calendário das datas comemorativas. E isso faz com que muitos alunos ainda pensem que índio não se veste como outras pessoas ou que o dia da consciência negra é pra comer acarajé e ver roda de capoeira.

Diante desses paradigmas e da nova lei 11.769/2008 que estabelece o ensino de música obrigatório, como construir e como anda a construção do currículo de música nas escolas? A legislação não tem o poder de transformar a realidade cotidiana das salas de aula.  A organização e a prática escolar não é obra da legislação, ambas interagem. Nesse sentido, se professores estiverem presos a padrões pessoais, ao próprio gosto, ou simplesmente a indicações de livros didáticos, a tendência será a desqualificação, a desvalorização da vivência do aluno – sua dança; sua música; sua prática artística. Dessa maneira, o grande desafio da educação musical hoje é formar educadores capazes de ampliar o alcance e a qualidade da experiência de seus alunos.

Referências

ARONOFF, Frances Webber. La musica y El niño pequeño. Buenos Aires: editora Recordi, 1974.

GAINZA, Violeta Hemsy de. Fundamentos, materiales y tecnicas de la educación musical.Buenos Aires: editora Ricordi 1977.

JEANDOT, Nicole. Explorando o universo da música. São Paulo: editora Scipicione ltda 1990.

PENNA, Maura. Música (s) e seu ensino. 2ª edição revisada e ampliada. Porto Alegre: editora Sulina, 2015.

SOUZA, Jusamara. (Org.) Aprender e ensinar música no cotidiano. Porto Alegre: editora Sulina, 2009.

SCHAFER, Raymond Murray. O Ouvido pensante. Tradução de Marisa Trench de O. Fonterrada, Magda R. Gomes da Silva e Maria Lúcia Pascoal. São Paulo: UNESP, 1991.

KIEFER,  Bruno. História da música brasileira: dos primórdios ao início do século XX. Porto Alegre: Editora Movimento, 1976.

 

[1] Capítulo 9 do livro Música(s) e Seu Ensino de Maura Penna: Ressignificando e recriando música: a proposta do re-arranjo

 

[2]  Termo utilizado por Maura Penna onde “guetização” se refere o processo de fechar em guetos.

 

[3] Termo utilizado por Maura Penna onde “folclorismo” se refere a valorização de eventos folclóricos e práticas típicas.

Educação Musical nas Escolas: Obrigatoriedade x Realidade

Imagem Música

Em 18 de agosto de 2008, a lei 11769 tornou obrigatório o ensino de música, na educação básica tendo as escolas o prazo até 2012 para se adaptarem a essas novas exigências. Essa é uma das maiores conquistas que a educação musical brasileira alcançou, porém o país não comporta educadores musicais o suficiente para suprir a demanda que temos hoje.

E agora o que fazer?

O grande problema em questão está relacionado à história da educação brasileira que é marcada por uma série de descontinuidades, que caminharam para várias direções. Uma delas é inexistência de políticas públicas para a educação no início da formação do Povo brasileiro, sendo, portanto, um dos determinantes na construção da nossa identidade educacional desigual e elitista. E a Educação Musical foi uma das vítimas desse sistema opressor que não incentivou a criação e ampliação dos cursos de Licenciatura em Música no país. Para Victório, ( 2011, pg. 09);

“Saber que a música encerra um caráter lúdico, prazeroso, não é suficiente para garantir um ensino de música que contemple as qualidades que ela traz em si. Ensinar música é coisa séria! A lei garante a Educação Musical nas escolas, mas, enquanto as escolas de Música não formarem professores de Música em quantidade suficiente para atender à demanda da lei, a qualidade desse ensino em larga escala poderá ficar comprometida”.

De qualquer forma, após séculos de luta, a Educação Musical passa a ter um outro olhar, e um novo sentido na escola, o que incentiva a sociedade a cobrar e discutir o direito dessa atividade no âmbito da educação básica do país. Portanto, cabe assim, ao poder público, instituições privadas e sociedade civil discutir e investir na ampliação dos cursos de graduação em música, como também promover formações continuadas, produzir bibliografias sobre a área musical, entre outras ações que poderão viabilizar o desenvolvimento de uma educação-educações consistente no nosso país tão rico musicalmente, repleto de ritmos e estilos musicais.

Assim,, diante da escassez de professores com formação na área de Educação Musical, venho desenvolvendo o projeto Sons Mágicos que promove cursos de formação de professores e venda de instrumentos musicais para aulas de Musicalização.  Nesse trabalho todos instrumentos são feitos artesanalmente, auto-sustentáveis e com um custo de fabricação baixo, tornando os instrumentos mais barato. A priori a intenção era apenas fornecer os instrumentos para as escolas. No entanto, surgiu a pergunta:

Como vender os instrumentos para escolas que não têm professores de música?

Após a aprovação da lei, o sistema educacional está com dificuldades de encontrar esses profissionais. E assim surgiu a ideia da formação para professores. Na compra de um kit de instrumentos a escola ganha um curso de formação para professores regentes e todo corpo docente. Um curso com módulo, planos de aulas, jogos musicais, contação de histórias com os instrumentos e confecção de instrumentos com materiais reutilizados.

https://www.youtube.com/watch?v=74Wi7IUfwHQ

Através da Sons Mágicos, desenvolvo esses projetos, pois vemos que a música na Educação configura-se como algo relevante, é uma experiência que lida diretamente com emoções, sentimentos e afetos capazes de dialogar e construir nas pessoas oportunidades de perceber o mundo de forma cada vez mais diverso e criativo. É importante ressaltar, que a linguagem musical se desenvolve a partir de práticas e vivências orientadas por meio do manuseio de instrumentos musicas, apreciação e percepção de sons diversos, criação e reprodução de sons, entre outras coisas.

“Nesse sentido, ensinar música nas escolas significa ensinar o indivíduo a construir e conquistar sua autonomia de criador e intérprete de sua própria trama musical, inserido na grande sinfonia da vida da qual todos participamos. Cada situação proporcionada pela vivência dos elementos sonoros se constitui em uma oportunidade de aprender e ressignificar preconceitos em busca de tramas sonoras cada vez mais harmônicas, envolvendo nesse processo, tanto sons considerados universais como sons característicos de um determinado grupo ou de nossa cultura”. (VICTÓRIO, 2011, p. 26)

A Música pode ser um ponto de partida para o desenvolvimento de relações pessoais e interpessoais como também contribuir no processo e ensino-aprendizagem. Desse modo, para o educador, a atividade musical deve partir dos princípios de vida em que a música se une ao ser humano como parte integrante de sua formação, devendo ser trabalhada desde tenra idade. Assim, temos instrumentos para todas as idades. Instrumentos leves para crianças menores:

https://www.youtube.com/watch?v=2cZR0Lg4waM

Instrumentos para crianças com faixa etária maior onde necessita e desenvolve habilidades motoras com execução de melodias simples:

https://www.youtube.com/watch?v=EQND6JXrCSM

E pra adolescentes e adultos também:

https://www.youtube.com/watch?v=xT-MQ3c81qQ

São todos instrumentos didáticos. A intenção é utilizar os instrumentos como forma de apreciação dos timbres em histórias como recurso sonoplástico, execução de música e acompanhamentos com os instrumentos. Mas a educação musical na sala de aula não inicia e tampouco se encerra na utilização dos matérias da Sons Mágicos. Os alunos precisam além de conhecer os instrumentos, também necessitam de aprender sobre os parâmetros do som com os próprios instrumentos, outros matérias e sons do seu cotidiano.

Por exemplo: O bongô tem dois sons um grave e um agudo, os metalofones tem som forte e agudo e o pau de chuva tem um som longo. Mas como fazer com que os alunos tenham essa percepção?

A educação musical tem vários caminhos, várias possibilidades para explorar com os estudantes. No entanto, qual melhor caminho? Como construir o currículo? O que devemos ensinar?

De acordo com o parâmetro curricular (1997, pg. 77):

“Para que a aprendizagem em música possa ser fundamental na formação de cidadãos é necessário que todos tenham a oportunidade de participar ativamente como ouvintes, interpretes compositores e improvisadores, dentro e fora da sala de aula. Envolvendo pessoas de fora no enriquecimento do ensino e promovendo interação com os grupos musicais e artísticos das localidades, a escola pode contribuir para que os alunos se tornem ouvintes sensíveis, amadores talentosos ou músicos profissionais”.

Assim com a matemática na escola não tem a intenção de formar teóricos matemáticos e tampouco português, literatura e redação de formar grandes escritores. A educação musical nas escolas hoje precisa encontrar o lugar que ficou reservado a ela. Bem como a construção de sua estrutura e prática pedagógica no interior das escolas. Diante disso, Hentschke, afirma que:

“… os problemas que enfrentamos na área da educação musical vão desde a falta de institucionalização e reconhecimento do valor da educação musical como disciplina integrante do currículo escolar até a falta de sistematização do ensino da música, seja este como parte de ensino formal, bem como em muitas escolas de música”. (1993, p. 50)

Nesse sentido, nos lamentarmos dos devaneios e da falta de investimentos na educação para que a mesma possa ter sentido real na vida dos estudantes, não chegaremos a lugar algum. A escola é um espaço de construção e assim como nos sentimos tocados com uma boa música, um bom filme, uma boa pintura, peça, ou qualquer outra obra de arte, precisamos sensibilizar os alunos. E isso não é apenas papel dos professores da área de artes, todos podem sentir-se tocados. O ensino de modo geral tem que ser pensado com bastante ludicidade, prática e motivação.

“Talvez, possamos compreender melhor porque Dewey (1959, 2010) e Stenhouse (1987) viram o ensino como uma arte e os professores como artistas. Há uma sintonia entre o fazer, o pensar, o conteúdo e a forma, interconectando os fins e os meios na unicidade de ação e consequências: os fins são criados no próprio processo (EISNER, 1985, 1998); há aprendizagem na própria ação, na reflexão sobre a própria ação (SCHÖN, 1992); há envolvimento total (GARDNER, 1996). Há, no fazer artístico, estético, uma sintonia entre o pensar e o fazer, entre a prática e a teoria, entre o conteúdo e a forma”. (Martins, 2011 p.312).

Devemos romper padrões engessados. Há no fazer artístico uma intrínseca interdisciplinaridade onde a teoria e a prática caminham juntos, onde a reflexão e observação de sua própria ação são molas propulsoras de novas experiências. A educação musical agora é obrigatória nas escolas, mas a música como forma ou meios para educar não começou agora. Os alunos já chegam às escolas musicalizados com a sua cultura, com a TV, o rádio e o celular. “O artista é aquele que vê o mundo e o retrata com fidelidade.[…] É com esse mesmo conceito que professores e professoras (devem) olhar a produção da criança, esperando ver nela o “retrato do mundo”. (Martins, 2011 p.314). Através das experiências que são trazidas para a sala de aula.

Portanto, se professores estiverem presos a padrões pessoais, ao próprio gosto, ou simplesmente por apenas indicações de livros didáticos, a tendência será a desqualificação, a desvalorização da vivencia do aluno, sua dança, sua música, sua prática artística. Dessa maneira, o grande desafio da educação musical hoje é formar educadores capazes de ampliar o alcance da aprendizagem e a qualidade da experiência de seus alunos.

 

Referências

AUSUBEL, D. P. A aprendizagem significativa: a teoria de David Ausubel. São Paulo: Moraes, 1982.

BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: Arte. Brasilia: MEC/SEF, 1997.

HENTSCHKE (1993) “ Relações da prática com a teoria na educação musical”. In: Anais do II Encontro Anual da Abem. Porto Alegre: Abem, pp. 49-68.

MARTINS, Mirian Celeste Ferreira Dias – Arte, só na aula de arte? In Educação, Porto Alegre, v. 34, n 3, p 311 a 316, set./dez. 2011.

SWANWICK, Keith. Ensinando Música Musicalmente. Traduzido por Alda Oliveira e Cristina Tourinho, São Paulo: Moderna, 2003.

VICTORIO, M. O bê-a-bá do dó-ré-mí: reflexões e praticas sobre educação musical nas escolas de ensino básico. Rio de Janeiro: Wak Editora, 2011.

 

A Música e o Ser Humano

Ao longo da historia a música vem desempenhando um papel importante no desenvolvimento do ser humano seja ele em seu aspecto religioso, cívico, social, cultural e educacional. A música acompanha o homem a mais de 30.000 anos segundo dados arqueológicos que remontam a história do homem primitivo ao serem encontrados vestígios de instrumentos musicais, pinturas […]